Predação de ninhos artificiais na Floresta Nacional da Restinga de Cabedelo
Data
2021
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129
Página final
130
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Resumo
O sucesso reprodutivo das aves pode ser considerado um fator-chave para compreensão
de possíveis extinções populacionais locais. Deste modo, estudos de predação em ninhos
permitem avaliar o sucesso reprodutivo das populações locais a partir do recrutamento de
novos indivíduos. Com o avanço da tecnologia, aliados como as câmeras traps, surgem
para otimizar o tempo gasto em campo, auxiliando no monitoramento e no registro de
potenciais predadores com a menor interferência humana possível. Elas possuem sensores
que são ativados com o movimento, sendo às vezes necessário fazer uma poda no local de
instalação, para que a vegetação ao redor não interfira no monitoramento. No presente
estudo foram avaliadas as taxas de predação em ninhos artificiais na Floresta Nacional da
Restinga em Cabedelo (FLONA Cabedelo), Paraíba. Foram instalados ninhos artificiais com
dois ovos de codorna-doméstica (Coturnix coturnix) ao longo de um transecto linear situado
na borda e outro no interior da floresta, no final da estação seca e início da estação
chuvosa. Os ninhos foram distribuídos em três diferentes níveis de altura (0,0 m, 1,5 m e 3,0
m), sendo 12 para cada transecto em cada estação, o que totalizou 48 ninhos em todo
estudo. Foram utilizadas duas câmeras traps em cada transecto, as quais ficaram em
campo durante 15 dias em cada campanha (seca e chuvosa), realizando 360 horas de
monitoramento por câmera trap, multiplicando por 4, já que foram 4 câmeras traps (2 em
cada transecto), chegando ao valor de 1.440 horas/campanha. Como foram duas
campanhas de campo (uma na seca e outra chuvosa), multiplicamos o valor por 2,
chegando ao valor final de 2.880 horas de monitoramento. Foi utilizado o teste Qui-
quadrado e modelos de Regressão Logística para avaliar diferenças nas taxas de predação
entre estações, local e altura do ninho. Todas as análises foram realizadas em software R.
As variáveis estudadas não tiveram efeitos significativos sobre as taxas de predação na
área estudada e o modelo nulo apresentou melhor desempenho (AIC) quando comparado
ao modelo global. Em geral, a taxa de predação de ninhos total registrada no presente
estudo foi de 43,7%, e assemelha-se aos resultados encontrados em estudos semelhantes
com ninhos artificiais em fragmentos de Cerrado e em uma área de Mata Atlântica. Dentre
os predadores de ninhos identificados por meio de câmera-trap estão tatu-peba
(Euphractus sexcinctus), timbu (Didelphis albiventris), sagui (Callithrix jacchus) e teiú
(Salvator merianae). Além destes, foram registrados nas proximidades do ninho, mas sem
evidências de predação, a cutia (Dasyprocta iacki) e o marsupial Marmosa murina, este
último um registro novo para a FLONA Cabedelo.