Restingas: ser ou não ser, eis a questão...
Data
2011
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XIII Congresso da Associação Brasileira de Estudos do Quaternário ABEQUA III Encontro do Quaternário Sulamericano
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Resumo
A falta de padronização das terminologias das feições costeiras no Brasil não é problema
recente (GUERRA & CUNHA, 1992). O termo restinga, por exemplo, tem sido ponto de
diversas controvérsias e conflitos na gestão territorial do litoral brasileiro, apresentando
diferentes significados em diversos ramos das ciências naturais (LACERDA et al, 1984;
SOUZA et al, 2009). Conforme citam SOUZA et al (op cit), cotidianamente conflitos e
divergências técnicas têm ocorrido quando da caracterização da restinga protegida por lei,
para fins de enquadramento das Áreas de Preservação Permanente, com utilização de um dos
diversos conceitos geológicos (monodisciplinar) de restinga, homônimo ao conceito legal e
sistêmico apresentado na normativa, para descaracterizar a proteção legal de áreas específicas.
Após a publicação da Resolução CONAMA n° 303 (BRASIL, 2002), com definições de
Áreas de Preservação Permanente (APP) associadas ao ambiente de restinga, o termo se
tornou mais polêmico e teve seu interesse renovado, por passar a representar um ambiente de
restrição de uso em uma importante e extensa faixa litorânea e de interesse imobiliário. Tal
normativa determina a proteção desse ambiente em duas situações: em faixa mínima de
trezentos metros, medidos a partir da linha de preamar máxima; e em qualquer localização
ou extensão, quando recoberta por vegetação com função fixadora de dunas ou
estabilizadora de mangues. Em sua redação, restinga é clara e objetivamente caracterizada
como: “depósito arenoso paralelo a linha da costa, de forma geralmente alongada, produzido
por processos de sedimentação, onde se encontram diferentes comunidades que recebem
influência marinha, também consideradas comunidades edáficas por dependerem mais da
natureza do substrato do que do clima. A cobertura vegetal nas restingas ocorre em mosaico,
e encontra-se em praias, cordões arenosos, dunas e depressões, apresentando, de acordo com
o estágio sucessional, estrato herbáceo, arbustivos e arbóreo, este último mais interiorizado.”