Hidrogeoquímica dos Aquíferos da Região da APA Carste de Lagoa Santa, MG
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Data
2018-12-21
Autores
Orientador(es)
Velasquez, Leila Nunes Menegasse
Coorientador(es)
Dussin, Tânia Mara
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Resumo
Este estudo, realizado na região da Área de Proteção Ambiental Carste de Lagoa Santa a norte de
Belo Horizonte, visou a caracterização geoquímica das rochas e das águas subterrâneas com o intuito
de auxiliar na posterior estruturação de um modelo hidrodinâmico e hidroquímico e na implantação
de uma rede de monitoramento. Afloram na região e constituem os diferentes aquíferos três unidades
litoestratigráficas principais: embasamento, representado pelo granito-gnaisse do Complexo Belo
Horizonte, calcários recristalizados da Formação Sete Lagoas, que compõem o principal aquífero da
região e é subdividida em Membro Pedro Leopoldo, inferior, formado por calcários finos e com
intercalações pelíticas, e Membro Lagoa Santa, superior, com calcários grossos e essencialmente
calcíticos, e pelitos da Formação Serra de Santa Helena no topo. Coletou-se amostras de águas de
nascentes e poços, correspondentes à circulação rasa e profunda dos aquíferos, para análise química
e os dados foram tratados estatisticamente e plotados em diagramas binários, ternários, Piper e Stiff
para interpretação. Estas águas são predominantemente bicarbonatadas cálcicas, ocorrendo fácies
bicarbonatadas mistas limitadas às águas do embasamento e bicarbonatada sódica relativa a colúvio.
Estas últimas são facilmente distinguíveis das demais, assim como as associadas aos pelitos, pela
composição química com baixa concentração de Ca2+, observada pela mediana (18,5 mg/L), e altas
de Na+
(7,9 mg/L) – referentes apenas aos granitos - e Si4+ (35,5 mg/L). As misturas dos granitos com
rochas do membro inferior e dos pelitos com os calcários puros mantêm a alta concentração de Si4+
(26,7 mg/L), mas aumentam as concentrações de Ca2+ (55,9 mg/L) devido a contribuição carbonática.
As águas que circulam restritamente no Membro Lagoa Santa refletem a composição calcítica das
rochas com concentrações maiores de Ca2+ (80,2 mg/L) e HCO3
-
(243,4 mg/L) que as demais e baixas
concentrações de Mg2+ (1,1 mg/L), Na+
(0,3 mg/L) e Si4+ (9,4 mg/L). A presença de intercalações
pelíticas nos calcários impuros conferem às águas maiores concentrações de Mg2+ (3,2 mg/L), Na+
(1,6 mg/L) e Si4+ (14,5 mg/L), porém menores de Ca2+ (59,8 mg/L) e HCO3
-
(205,0 mg/L) que o
membro superior. A variabilidade faciológica deste membro permite a subdivisão em quatro tipos
hídricos com concentrações de Ca2+ e Si4+ variadas, observados também nas cotas médias de entradas
d’água e na produtividade dos poços desta unidade. A alta produtividade dos poços é conferida à
hidroquímica passível a dissolução pela alta concentração de Ca2+ associada a porções mais puras das
rochas, mas principalmente à localização próxima a zona de falhas e do contato litológico entre os
membros, assim como a ocorrência das maiores vazões em cotas mais elevadas no Membro Pedro
Leopoldo e mais baixas no Membro Lagoa Santa Já a circulação rasa, controlada principalmente pela
intensidade dos processos de carstificação, apresenta maiores vazões nas rochas do membro superior.
A Si4+ constitui, ainda, o principal indicativo de compartimentação horizontal e vertical dos aquíferos,
com sua concentração aumentando em profundidade e de NW para SE e NE