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Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Aves Silvestres

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    Estratégia e extensão de muda de passeriformes em unidades de conservação da Ilha de Santa Catarina e Arvoredo, Santa Catarina
    (2018) Ferreira, Ariane; Lugarini, Camile; Johnson, Erik I.; Serafini, Patricia Pereira; Meurer, Rafael; Sandri, Sandro; Rocha, Luis O. F. da; Souza, Silvio de S. J.; Assumpção, Cristiana C. A.
    Determinar idade e sexo de aves a partir da muda e plumagem é uma ferramenta para monitoramento populacional demográfico, de estruturação de populações e de biologia reprodutiva. O objetivo deste estudo foi determinar o sexo e a idade de Passeriformes, observando o período em que realizam eventos cíclicos importantes, como muda e reprodução. Para isto, as aves foram capturadas com redes de neblina instaladas no sub-bosque e áreas abertas, em expedições mensais entre 2016 e 2018, em duas unidades de conservação, na ilha de Santa Catarina e Arvoredo. Cada ave foi contida manualmente, marcada com anilha CEMAVE e solta imediatamente após o processamento. A estratégia e extensão de muda foi determinada para quatro espécies das famílias Tyrannidae, Turdidae e Thraupidae, determinando-se a idade de acordo com o sistema W R-P modificado. O primeiro ciclo de mudas foi definido como o período entre o início da primeira e a segunda muda pré-básica e os ciclos seguintes, com ciclos definitivos quando as plumagens se tornaram homólogas. A estação reprodutiva iniciou-se na primavera austral reduzindo durante o verão, sendo que 39,3% dos indivíduos capturados (n = 743) exibiram placa de incubação (PI) e protuberância cloacal (PC) neste período. Elaenia obscura (n = 76) seguiu a estratégia básica complexa (EBC) com muda pré-formativa (FPF) parcial (43,75%), incompleta (25%) e excêntrica (18,75%), sendo caracterizada pela retenção de todas as coberteiras primárias (pp covs), substituição de algumas (28,6%) ou todas (71,4%) as grandes coberteiras (gr covs), álulas (1,2), terciárias (s9) e penas de contorno. Três espécimes de E. obscura apresentaram um padrão atípico, com muda incompleta excêntrica, substituindo penas primárias (0-4) e secundárias de voo (0-5) e algumas (1-3) pp covs externas. Turdus amaurochalinus (n = 74) e T. albicollis (n = 7) seguiram a EBC, com FPF caracterizada pela substituição de todas as penas de corpo, pequenas e médias coberteiras, álulas (20,0%) e 2-8 (3,6±1,9) gr covs internas. Turdus juvenis foram facilmente identificados pela presença de manchas ferrugíneas nas penas do peito, cabeça e coberteiras das asas, além de evidente comissura no bico e ossificação incompleta do crânio (42%). Um espécime de T. amaurochalinus apresentou FPF incompleta excêntrica substituindo primárias (p7-10), juntamente com 2 pp covs, todas as álulas e secundárias de voo. Tachyphonus coronatus (n=28) também seguiu a EBC, porém com FPF completa, substituindo todas as penas de contorno e voo; os machos trocaram suas penas marrons para preta na FPF, enquanto fêmeas permaneceram com a mesma coloração (marrom) em todos os ciclos. A existência de muda limitada, restrita apenas a alguns indivíduos de uma espécie, antecedendo a reprodução, pode indicar muda pré-alterna. Apesar de não ter sido descrita em E. obscura, 9,2% dos indivíduos capturados neste estudo apresentaram muda de contorno sobreposta à PC ou PI, entre os meses de agosto e dezembro, podendo ser decorrente de muda pré-alterna ou adventícia, merecendo melhor documentação. Outras espécies não apresentaram muda com sobreposição ao início da reprodução. Para as quatro espécies descritas neste estudo foi possível reconhecer aves do primeiro ciclo de vida, auxiliando o monitoramento da dinâmica populacional de aves terrestres em unidades de conservação em ilhas de Santa Catarina, a partir de critérios precisos.
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    Monitoramento reprodutivo da Grazina-do-bico-vermelho (Phaethon aethereus) no ParNaMar dos Abrolhos: Resultados e perspectivas
    (2019) Ferreira, Lucas Cabral Lage; Barbosa, Maria Bernadete Silva; Figueiredo, Barbara Santos; Serafini, Patrícia Pereira; Nunes, Guilherme Tavares; Efe, Marcio Amorim; Bugoni, Leandro; Repinaldo Filho, Fernando Pedro Marinho
    Este estudo apresenta resultados iniciais do Programa de Monitoramento das Aves Marinhas do Parque Nacional Marinho dos Abrolhos, acerca da reprodução de grazinas Phaethon aethereus, listada como ameaçada de extinção na lista vermelha nacional. De outubro/2017 a dezembro/2018 foram monitorados, mensalmente, 123 ninhos nas ilhas Siriba, Redonda e Santa Bárbara. Além disso, foram realizadas expedições em junho e novembro/2018 para verificação de todos os ninhos marcados nas cinco ilhas do arquipélago. No total, foram identificados 611 (junho) e 619 (novembro) ninhos de grazina. Destes, 35% e 21,6% estavam ativos, respectivamente. O estágio predominante foi “ovo”. Ninhos ativos ocorrem em todos os meses, mais intensamente entre fevereiro e junho. Dos 142 eventos reprodutivos registrados, 57,7% falharam, principalmente na transição entre os estágios de ovo e ninhego com 0-3 semanas de idade (59,8%). As maiores porcentagens de falha foram registradas nas ilhas Siriba (63%), Santa Bárbara (54%) e, Redonda (52%). Vestígios de predação por ratos (Rattus rattus) foram verificados em alguns ninhos (i.e. ovos com cascas roídas), mas cabras, formigas e aranhas caranguejeiras também podem representar impactos sobre o sucesso reprodutivo. Medidas futuras incluem a continuidade do monitoramento e a instalação de armadilhas fotográficas para identificar a causa das falhas. Iniciativa em curso para erradicar e controlar espécies exóticas (e.g. roedores) no Arquipélago dos Abrolhos poderão contribuir com o aumento no sucesso reprodutivo na principal colônia de P. aethereus no Brasil.
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    Primeiro registro documentado de Leucopternis melanops (Latham, 1790) (Aves: Accipitridae) no estado do Maranhão e atualização da distribuição geográfica da espécie no Brasil
    (Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi. Ciências Naturais, 2021) Pinheiro, Leonardo Victor Soares; Cerqueira, ablo Vieira; Leite, Gabriel Augusto; Fialho, Marcos de Souza; Gonsioroski, Gustavo
    O gavião-de-cara-preta, Leucopternis melanops (Latham, 1790), é o representante do gênero com a maior distribuição geográfica, sendo regular na calha norte do rio Amazonas e com raros registros na calha sul (Acre, Amazonas, Mato Grosso, Pará e Rondônia). Em 24 de junho de 2018, um indivíduo de L. melanops foi encontrado no município de Centro Novo do Maranhão, estado do Maranhão, Brasil, dentro dos limites da Reserva Biológica do Gurupi, sendo este o primeiro registro documentado para o estado. Este registro, somado a outros, serviu para atualizar os limites da distribuição da espécie no Brasil, além de destacar a importância do mosaico Gurupi em manter espécies pouco comuns.
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    Representatividade de aves quase ameaçadas e ameaçadas de extinção no Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza
    (2021) Amarante, Rayssa T.; Bueno, Anderson S.; Cardoso, Ivana; Roos, Andrei L.; IFFar, Manuella A. Souza; Castilhos, Júlio de; Amarante, Rayssa T.
    proteger as espécies ameaçadas de extinção. Determinar a representatividade dessas espécies em unidades de conservação (UCs) é importante para avaliar a efetividade do SNUC em contribuir para manutenção da diversidade biológica. Nosso objetivo foi (1) identificar e quantificar as espécies da avifauna brasileira consideradas globalmente quase ameaçadas e ameaçadas de extinção registradas em UCs; 2) determinar se a categoria de ameaça é relacionada com a representatividade em UCs (i.e. quantidade de UCs em que a espécie foi registrada); e (3) determinar a área protegida disponível para as espécies (i.e. área acumulada de todas as UCs em que a espécie foi registrada). Para isso, a partir do trabalho de Roos, Souza e colaboradores, dados de ocorrência de aves foram atualizados consultando 11 plataformas: ARA, Atlantic Birds, eBird, GBIF, iNarutalist, PortalBio, SIBBr, speciesLink, VertNet, WikiAves,xeno-canto. Utilizamos os registros de ocorrência de aves quase ameaçadas e ameaçadas de extinção identificadas em nível de espécie e os polígonos das UCs (597 federais, 981 estaduais e 356 municipais). Analisamos um total de 47.434 registros de aves e 1.934 polígonos de UCs. Das 297 espécies de aves consideradas quase ameaçadas e ameaçadas de extinção com ocorrência no Brasil (sensu BirdLife), identificamos 19 espécies sem nenhum registro em UCs: 5 quase ameaçadas (NT, e.g. Calonectris edwardsii), 6 vulneráveis (VU, e.g. Celeus tinnunculus), 5 em perigo (EN, e.g. Deconychura pallida) e 3 criticamente em perigo (CR, e.g. Crax pinima). Das 278 espécies registradas em UCs, identificamos 121 NT (em 335 UCs de Proteção Integral (PI) e 376 de Uso Sustentável (US)), 95 VU (em 284 PI e 319 US); 45 EN (em 170 PI e 154 US) e 17 CR (em 40 PI e 27 US). A espécie com maior representatividade foi Ramphastos vitellinus (VU; n = 127 PI e 140 US), enquanto 10 espécies estiveram representadas em apenas uma UC. A espécie com maior área protegida disponível foi R. vitellinus (89.955.715 ha), enquanto a com menor área foi Nemosia rourei (CR; 5.260 ha). Percebemos que quanto maior o grau de ameaça (CR > EN > VU > NT), menor a representatividade em UCs e a área protegida disponível. A representatividade das espécies em UCs e a área protegida disponível foram positivamente relacionadas em escala log-log para todas as espécies em conjunto e separadas por categoria de ameaça (P < 0,05 para todas as regressões). Nossos resultados mostram que o SNUC abriga a grande maioria das espécies quase ameaçadas e ameaçadas de extinção. Porém, identificamos que ainda há espécies ausentes ou pouco representadas no SNUC. Diante do cenário crescente de degradação ambiental, recategorização, redução e extinção de unidades de conservação no Brasil, é necessário direcionar esforços de conservação para os habitats não protegidos que abrigam as espécies mais vulneráveis.