As condições socioeconômicas e a exposição ao meio ambiente influenciam o conhecimento e uso da avifauna por populações humanas na Área de Proteção Ambiental e Refúgio de Vida Silvestre da Ararinha Azul
Data
2021
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59
Página final
60
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Resumo
No Semiárido brasileiro, as aves silvestres são usadas como ornamentação, fonte de
subsistência ou para obtenção de renda. Investigar os fatores que influenciam o conhecimento das populações humanas sobre esses recursos é fundamental para subsidiar a gestão e a conservação. Neste sentido, o presente estudo teve a finalidade de caracterizar o perfil socioeconômico dos moradores da Área de Proteção Ambiental (APA) e Refúgio de Vida Silvestre (RVS) da Ararinha Azul e entender como esse perfil afeta o conhecimento da composição da avifauna local e usos que lhe são dados. Para tanto, foram entrevistadas de forma individual 64 pessoas, entre novembro de 2019 e janeiro de 2020, sendo 33 mulheres e 31 homens. A idade dos participantes variou entre 18 e 78 anos. Quanto à escolaridade, 56,25% possuíam apenas o ensino fundamental incompleto e apenas 4,69% dos entrevistados possuíam renda maior que três salários mínimos. Foram registradas 1.102 citações de aves, das quais 599 citações eram para uso humano, referentes a 87 espécies, distribuídas em 20 Ordens e 35 Famílias, sendo 36 espécies utilizadas para comércio, 18 para captura esportiva, 18 para alimentação e 17 como animal de estimação. Para avaliar a influência dos fatores socioeconômicos no conhecimento das aves e usos empregados, foram realizados testes de correlação de Spearman e Kruskal-Wallis. Observou-se que a renda das famílias está inversamente relacionada à presença de aves em cativeiro na casa (p=0,03). Pessoas que usam gás citaram mais espécies de aves usadas na alimentação do que pessoas que usam lenha (p=0,03). Quanto mais precárias as condições das fontes de água, maior o conhecimento de espécies de aves usadas na alimentação (p=0,04). A escolaridade influenciou negativamente e a idade influenciou positivamente o conhecimento de uso caça esportiva (p<0,01, e, p=0,05, respectivamente). Quanto maior o número de plantas agrícolas cultivadas para alimentação da família menor o conhecimento de aves (p=0,03). Não houve correlação significativa entre as variáveis ‘conhecimento do número de espécies de aves’ e ‘usos das espécies de aves’, e as variáveis ‘fonte de energia’, ‘tempo de residência’ e ‘gênero’. Nossos resultados mostram que os fatores socioeconômicos influenciam o conhecimento sobre as aves na APA e RVS da Ararinha Azul e o tempo de exposição ao ambiente influencia positivamente no conhecimento sobre as espécies de aves silvestres de sua região. Demonstrou-se que os residentes com menor escolaridade e menor renda tendem a manter aves em cativeiro e a realizarem caça esportiva.