Valores hematológicos e bioquímicos de referência para atobá-marrom (Sula leucogaster) em área de distribuição no sul do Brasil

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Os exames hematológicos e parâmetros bioquímicos séricos fornecem informações para avaliação da saúde e diagnóstico de doenças nas aves, além de subsidiar decisões importantes de manejo tal como a translocação após processo de resgate e reabilitação. No entanto, a literatura que descreve valores hematológicos e bioquímicos séricos de aves selvagens livres e, mesmo mantidas em cativeiro, é muito escassa. Esta falta de dados padronizados que podem ser utilizados para avaliar a saúde das aves limita o diagnóstico adequado. Neste contexto, o presente estudo estabelece intervalos de referência para Atobá-marrom (Sula leucogaster). As amostras foram obtidas a partir de animais encontrados nas praias ou encaminhados para reabilitação durante o monitoramento da região da Ilha de Santa Catarina, ocorrido no escopo do Projeto de Monitoramento de Praias da Petrobrás/ Bacia de Santos, realizado pela Associação R3 Animal. As coletas de sangue foram realizadas pela venopunção da veia ulnar ou jugular, na qual foi obtido, no máximo, 1% do peso corporal de sangue de cada ave. A contagem total de eritrócitos, leucócitos e trombócitos, foi realizada em câmara de Neubauer no sangue previamente diluído (1:200) em solução Natt & Herrick's (1952). O hematócrito foi determinado pelo método do microhematócrito, com centrifugação a 12.000 rpm por 5 minutos. A extensão sanguínea foi corada com o corante Instantprov corante rápido para hematologia (Newprov®) e possibilitou a contagem diferencial relativa de leucócitos, além disso foram avaliadas a presença de corpúsculos de inclusão ou parasitas, em microscopia óptica. Os testes bioquímicos foram realizados a partir da centrifugação das amostras, onde o sobrenadante, soro ou plasma, foi transferido para um tubo separado, submetido a reagentes líquidos (Labtest®), de acordo com instruções do fabricante, e lidos por espectrofotometria. Os valores foram obtidos de aves consideradas aptas para soltura através da análise dos resultados dos exames físicos, hematológicos e bioquímicos, durante o processo de reabilitação. Sendo assim, os valores de intervalos de referência (n = 49) observados na análise hematológica de eritrograma foram: volume globular (31,9-45,2 %), hematimetria (1,5-2,2 109/µL), hemoglobina (32,8-50,2 g/dL), e para o leucograma: heterófilos (23,7-97,1 %), monócitos (0-25,1 %), linfócitos (2,3-52,4 %), trombócitos (932,3-6.688,2 µL), eosinófilos (0-10%), basófilos (0%), leucócitos (681,3-14491,1 µL). Para análise bioquímica foram apresentados valores de intervalos de referência para: proteínas totais (3,6-5,6 g/dL), glicose (173,6-323,6 mg/dL), ácido úrico (1,8-8,7 mg/dL), creatinina (259,6-2.126,8 mg/dL), triglicérides (30,4-275,1 mg/dL), albumina (1,1-1,7 g/dL), fosfatase alcalina (2,6-79,5 U/L), fósforo (2,0-7,9 mg/dL) e cálcio (7,0-12,8 mg/dL). Este trabalho atende à lacuna importante do conhecimento sobre parâmetros para avaliação da saúde das populações da espécie foco do estudo e da sua importância para embasar ações de manejo in-situ e ex-situ. Além disso, consideramos que padrões hematológicos e bioquímicos também podem ser muito úteis para a identificação e monitoramento de impactos de atividades antrópicas sobre a biodiversidade e para monitorar medidas de mitigação que afetem espécies da fauna ameaçada.

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